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Alimentos caem, mas energia pressiona inflação


Por Redação

26/06/2025  às  10:43:40 | | views 3823


@ Ferdous Hasan

Prévia do IPCA de junho desacelera para 0,26%, mas alívio ainda é desigual e pouco sentido no dia a dia do consumidor


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Após nove meses consecutivos de alta, os preços dos alimentos finalmente recuaram em junho, contribuindo para a desaceleração da inflação medida pelo IPCA-15, que fechou o mês em 0,26%. Apesar do alívio pontual, o dado divulgado nesta quinta-feira (26) pelo IBGE escancara uma realidade menos animadora: o custo de vida continua avançando, impulsionado por itens essenciais como a energia elétrica, que teve aumento expressivo de 3,29%.

 

A queda dos alimentos — embora seja a primeira desde agosto de 2024 — foi tímida (-0,02%) e insuficiente para compensar as altas em sete dos nove grupos pesquisados, com destaque para habitação (+1,08%), vestuário (+0,51%) e saúde (+0,29%). A elevação da conta de luz, impactada pelo acionamento da bandeira vermelha patamar 1, foi a principal vilã do mês, com impacto de 0,13 ponto percentual no índice geral. Na prática, isso significa que o consumidor pagará mais por um serviço básico, independentemente do recuo no tomate ou no arroz.

 

Alívio relativo, impacto limitado

Composta por itens de consumo cotidiano, a cesta do IPCA-15 acumula alta de 5,27% em 12 meses — bem acima do centro da meta de inflação do governo, que é de 3%. Mesmo com quatro meses consecutivos de desaceleração, o índice segue pressionado, e a "queda" dos alimentos precisa ser relativizada: entre os poucos itens em baixa estão produtos como tomate (-7,24%), ovo de galinha (-6,95%) e arroz (-3,44%), enquanto a cebola (9,54%) e o café (2,86%) subiram, minando o efeito benéfico da deflação.

 

A gasolina também teve leve recuo (-0,52%), influenciando para baixo o grupo transportes. No entanto, o impacto direto no bolso ainda é questionável, considerando o peso dos reajustes recentes na energia e nos serviços pessoais, que continuam a subir sem trégua.

 

Desaceleração ou inércia inflacionária?

Embora os dados sugiram uma tendência de desaceleração — o IPCA-15 caiu de 1,23% em fevereiro para 0,26% em junho — o cenário não representa, necessariamente, um ambiente de estabilidade. A inflação segue espalhada entre diferentes setores da economia, indicando que a pressão sobre os preços não foi contida, mas apenas redistribuída.

 

A estratégia de política monetária do Banco Central, baseada na meta de 3% com margem de 1,5 ponto percentual, segue sendo posta à prova. O número de junho, ainda que abaixo dos 0,39% registrados no mesmo mês de 2024, pouco altera a percepção de que o poder de compra das famílias — sobretudo as de menor renda — segue corroído por aumentos em serviços essenciais.

 

Foco nos indicadores ou na realidade das ruas?

O IPCA-15 é uma prévia da inflação oficial, coletado entre 16 de maio e 13 de junho, em 11 regiões metropolitanas. No entanto, seu alcance limitado e a própria metodologia de cálculo — com base em famílias que ganham até 40 salários mínimos — nem sempre traduzem a experiência da maioria da população brasileira, que sente o peso da inflação nas prateleiras e nas contas mensais, especialmente energia, gás, transporte e alimentos processados.

 

O índice completo de junho será divulgado em 10 de julho. Até lá, a queda dos alimentos pode seguir como dado técnico, mas distante da realidade de quem continua tendo que escolher entre pagar a conta de luz ou encher o carrinho do supermercado.



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