Copom decide entre nova alta ou pausa em juros já elevados
Por Redação
18/06/2025 às 07:16:35 | | views 3811
Comitê do Banco Central enfrenta dilema entre combater inflação e evitar sufocamento da economia
Nesta quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide se dará fim — ainda que temporário — ao mais longo e agressivo ciclo de alta da Taxa Selic em quase duas décadas. A taxa, atualmente em 14,75% ao ano, já atinge o maior nível desde 2006 e tem imposto um custo elevado à economia real, especialmente em um cenário de desaceleração da inflação e sinais evidentes de enfraquecimento da atividade econômica.
Apesar dos indicadores recentes apontarem para um arrefecimento do IPCA — que caiu para 0,26% em maio e acumula 5,32% em 12 meses —, parte do mercado ainda especula uma nova elevação, que levaria a taxa para 15% ao ano. Uma possível decisão que, na prática, ignora os efeitos defasados da política monetária e reforça uma ortodoxia que já beira o anacronismo.
Inflação em queda, mas juros seguem elevados
O paradoxo se impõe: a inflação cede, mas os juros permanecem em níveis historicamente restritivos. O próprio Banco Central reconheceu, em seu último comunicado, que há sinais consistentes de desaquecimento econômico, reflexo direto das sucessivas altas iniciadas em setembro de 2022. Ainda assim, não se comprometeu com qualquer alívio nos juros, preferindo manter um discurso vago sobre os “canais de transmissão da política monetária”.
Essa postura conservadora contrasta com o comportamento de outras economias, onde a desaceleração inflacionária tem sido acompanhada por um início de flexibilização monetária — ou, ao menos, por um fim nas elevações.
Custo social e risco de prolongar a estagnação
A insistência em manter a Selic em patamar tão elevado levanta críticas. Além de encarecer o crédito e travar investimentos, a política compromete a geração de empregos e o crescimento da renda, penalizando especialmente os mais vulneráveis. A concentração no combate à inflação, sem calibrar adequadamente os efeitos colaterais, pode levar o país a uma estagnação prolongada, especialmente quando parte relevante da inflação se deve a choques de oferta, como nos preços de energia.
Vale lembrar que o sistema de metas contínuas de inflação, implantado este ano, exige atenção constante aos dados mensais, e não mais ao IPCA de dezembro. Mesmo com esse novo arcabouço — que permite uma leitura mais dinâmica dos preços — o BC ainda atua como se preso ao velho calendário inflacionário, tratando os juros como o único instrumento possível.
Mercado dividido, população impactada
O boletim Focus desta semana projeta manutenção da Selic em 14,75% até o fim de 2025, com cortes apenas em 2026. No entanto, essa projeção revela mais uma aposta do que um consenso técnico. O mercado financeiro permanece dividido, e o próprio BC parece hesitar entre sua missão legal de controlar a inflação e a responsabilidade mais ampla de zelar pela estabilidade econômica.
Enquanto isso, o custo do dinheiro permanece elevado para empresas e famílias, afetando o consumo, os investimentos e, por consequência, o desempenho da economia brasileira.
A hora da responsabilidade
Com a reunião desta quarta, o Copom tem a oportunidade de sinalizar um compromisso mais equilibrado entre estabilidade de preços e crescimento sustentável. Persistir na elevação da Selic, mesmo diante de inflação em queda e economia enfraquecida, seria não apenas economicamente questionável — mas socialmente irresponsável.
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