Mercado melhora projeções, mas juros seguem travando
Por Redação
16/06/2025 às 10:35:58 | | views 3810
Estimativas de crescimento e inflação melhoram, mas juros altos e câmbio pressionado revelam incertezas persistentes
Apesar da ligeira melhora nas projeções econômicas para 2025, os dados divulgados nesta segunda-feira (16) pelo Boletim Focus do Banco Central apontam para um cenário que ainda inspira cautela. A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) subiu marginalmente de 2,18% para 2,20%, enquanto a previsão de inflação recuou de 5,44% para 5,25%. O mercado também prevê uma leve desvalorização do dólar frente ao real no ano que vem.
Os números indicam algum grau de otimismo entre analistas, mas o avanço é discreto e ocorre em meio a sinais de desaceleração econômica e elevada incerteza fiscal e monetária. O próprio histórico das projeções revela a fragilidade das expectativas: há apenas um mês, o crescimento previsto era de 2,02%. Para os anos seguintes, as estimativas permanecem modestas — 1,83% para 2026 e 2% para 2027 — refletindo um país que ainda convive com obstáculos estruturais ao desenvolvimento sustentável.
Inflação desacelera, mas segue acima da meta
A previsão do mercado para a inflação de 2025 caiu, mas ainda está acima da meta de 3%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A estimativa de 5,25% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) revela que o controle de preços segue como um desafio central para a política econômica.
No acumulado de 12 meses até maio, a inflação ficou em 5,32%. Embora haja desaceleração, os preços de itens essenciais continuam pressionando o orçamento das famílias, especialmente no setor de habitação, com alta de 1,19% em maio, puxada pelo aumento da energia elétrica (3,62%).
Juros elevados emperram retomada mais vigorosa
Um dos principais entraves à expansão econômica permanece sendo a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano — o maior nível desde o início do ciclo de aperto monetário. O Banco Central, em sua última reunião, elevou os juros pela sexta vez consecutiva, sinalizando que o combate à inflação ainda não permite alívio à política monetária.
A manutenção da Selic em patamares elevados prejudica a retomada do crescimento, encarece o crédito e compromete investimentos produtivos. Ainda assim, o mercado projeta que a taxa básica deve se manter nesse nível até o fim de 2025, com recuo gradual apenas nos anos seguintes: 12,5% em 2026 e 10,5% em 2027.
Câmbio instável reflete desconfiança
O câmbio segue pressionado, refletindo a incerteza do cenário fiscal e político. A expectativa é de que o dólar encerre 2025 cotado a R$ 5,77, ligeiramente abaixo da projeção anterior, mas ainda em um patamar elevado. A valorização da moeda norte-americana encarece importações e compromete a estabilidade de preços internos, especialmente em setores dependentes de insumos estrangeiros.
Embora haja uma tendência de estabilidade para os anos seguintes — com o dólar projetado em R$ 5,80 tanto para 2026 quanto para 2027 —, o cenário externo volátil e a falta de sinalizações claras da política econômica brasileira tornam difícil qualquer previsão confiável a médio prazo.
Desafios de longo prazo
A alta de 1,4% no PIB do primeiro trimestre de 2025, puxada pela agropecuária, e o crescimento de 3,4% em 2024, não devem ser lidos como tendência consolidada. O desempenho positivo recente se deve a fatores pontuais, como safras agrícolas recordes, que não se repetem com regularidade e não representam avanço em setores como indústria e serviços — que enfrentam estagnação e baixa produtividade.
O fato de o Brasil completar quatro anos consecutivos de crescimento positivo é relevante, mas insuficiente diante de um histórico de expansão fraca, desigual e concentrada em poucos setores.
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