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Portos batem recorde com crescimento tímido


Por Redação

12/06/2025  às  11:26:02 | | views 3839


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Movimentação cresce pelo segundo mês seguido, mas avanço modesto expõe limitações estruturais e dependência de commodities


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Apesar de registrar dois meses consecutivos de recordes na movimentação de cargas, o desempenho dos portos brasileiros ainda é modesto em termos percentuais. Em abril de 2025, o volume movimentado cresceu apenas 1,12% em relação ao mesmo mês de 2024, somando 107,6 milhões de toneladas, de acordo com o Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

 

O crescimento, embora tecnicamente um recorde, levanta dúvidas sobre o ritmo de expansão do setor, que ainda enfrenta gargalos logísticos crônicos e alta dependência de commodities. No acumulado de janeiro a abril, os portos movimentaram 412 milhões de toneladas — número que o Ministério de Portos e Aeroportos comemorou como o melhor desempenho da série histórica. “Pelo segundo mês consecutivo, estamos batendo recorde de movimentação de cargas”, afirmou o ministro Silvio Costa Filho em nota oficial.

 

Entretanto, os dados por segmento revelam uma realidade menos exuberante. A navegação de longo curso — voltada à exportação e importação — cresceu 1,71% em abril, atingindo 76,6 milhões de toneladas. A cabotagem, que poderia ser uma alternativa mais sustentável e estratégica ao transporte rodoviário, ficou em 23,3 milhões de toneladas, sem qualquer destaque em termos de crescimento.

 

Já a navegação interior, frequentemente negligenciada nas políticas públicas de infraestrutura, respondeu por apenas 7,6 milhões de toneladas, evidenciando o subaproveitamento das vias navegáveis do interior do país.

 

O crescimento mais expressivo veio dos terminais privados, que movimentaram 69,8 milhões de toneladas — avanço de 4% em relação ao ano anterior. Em contraste, os portos públicos, ainda enfrentando problemas estruturais e burocráticos, ficaram com 37,8 milhões de toneladas.

 

Entre os tipos de carga, os granéis sólidos cresceram 2,27%, alcançando 65,1 milhões de toneladas, enquanto os granéis líquidos aumentaram 1,94%, com 25,7 milhões. Embora positivos, esses números refletem a forte dependência do país na exportação de produtos primários, como minério de ferro e petróleo, em detrimento de bens de maior valor agregado.

 

Em suma, os recordes anunciados encobrem um cenário em que o crescimento ocorre mais por inércia do volume bruto do comércio exterior do que por melhorias estruturais no sistema portuário. O desafio, portanto, vai além de bater números: exige modernização, eficiência e visão estratégica de longo prazo.



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