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Estudo revela queda na percepção de importância do ESG


Por Redação

12/06/2025  às  11:11:10 | | views 3831


@Freepik

Pesquisa revela estagnação e sinais de retrocesso nas práticas ambientais, sociais e de governança nas corporações brasileiras


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Uma nova pesquisa revela que o compromisso corporativo com as pautas de ESG (sigla para Ambiental, Social e Governança) está em declínio entre líderes empresariais brasileiros. Realizado pela Data-Makers, do grupo HSR Specialist Researchers, em parceria com a consultoria CDN, o estudo “Líderes de Negócios e ESG” mostra uma queda significativa na percepção de importância do tema e uma estagnação no avanço de iniciativas concretas.

 

Apesar de 83% dos CEOs e executivos C-Level entrevistados ainda considerarem o ESG relevante, esse é o menor índice registrado desde o início da série histórica: 90% em 2023 e 89% em 2024. A pesquisa ouviu 108 líderes de empresas de diferentes portes e setores em todo o país.

 

Mais preocupante ainda é o dado sobre o conhecimento técnico do tema: apenas 13% dos executivos afirmam ter domínio avançado sobre ESG — uma queda acentuada que revela não apenas desinteresse, mas também lacunas na formação e capacitação das lideranças. O número de líderes que admitem não ter qualquer conhecimento sobre ESG dobrou em um ano, passando de 4% para 8%.

 

Sinais de desgaste e a “onda anti-ESG”

O estudo detecta um fenômeno crescente no Brasil que já é discutido internacionalmente: o avanço de uma “onda anti-ESG”, marcada pelo ceticismo, politização e desconfiança sobre a real efetividade e motivação dessas práticas. Cerca de 66% dos entrevistados afirmam que o tema perdeu importância no mercado brasileiro — percentual que chega a 71% entre os executivos de grandes empresas.

 

Segundo os organizadores da pesquisa, esse movimento ainda não resultou em mudanças estruturais no discurso das empresas, mas já afeta a execução de projetos. Um quarto das empresas (25%) cancelaram iniciativas de ESG e 32% colocaram programas em espera. As áreas mais atingidas são treinamentos internos, políticas de inclusão e diversidade, parcerias com organizações sociais e ações de comunicação institucional.

 

Investimentos em queda e discurso esvaziado

A desaceleração também se reflete nas projeções de investimento. Embora 58% dos executivos afirmem que os aportes em ESG devem se manter estáveis, o número daqueles que preveem redução subiu de 8% em 2024 para 20% em 2025 — o maior salto da série histórica.

 

“O estudo reforça mais uma vez o descompasso entre intenção e prática: embora o discurso sobre ESG ainda seja majoritário, o conhecimento técnico e os investimentos concretos vêm encolhendo”, afirma Fabio Santos, CEO da CDN. “Isso reforça a crítica de que ESG, para muitos, ainda é mais retórica do que estratégia empresarial”, completa.

 

Crise de legitimidade ou ajuste de rota?

Especialistas apontam que a queda no entusiasmo por ESG pode estar ligada à superficialidade com que o tema foi adotado por muitas empresas. Nos últimos anos, a sigla ganhou espaço nas agendas corporativas, mas em muitos casos foi tratada como uma exigência de reputação — e não como um compromisso estrutural.

 

Fabrício Fudissaku, CEO da Data-Makers, alerta para o risco de retrocesso: “O tema ESG corre o risco de se tornar irrelevante justamente quando os desafios climáticos, sociais e institucionais se agravam. A baixa adesão prática pode comprometer a credibilidade das empresas e enfraquecer os avanços conquistados nos últimos anos.”

 

O estudo conclui que, para evitar que o ESG se torne apenas um modismo corporativo, as empresas precisarão rever suas estratégias e apostar em ações mais consistentes, transparentes e alinhadas às expectativas de investidores, consumidores e da sociedade.



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