Dólar dispara e expõe fragilidade econômica do Brasil
Por Redação
30/05/2025 às 18:38:58 | | views 3844
Instabilidade provocada por Trump impacta mercado financeiro; Ptax e juros altos complicam cenário doméstico
A escalada do dólar para R$ 5,71 nesta sexta-feira (30) escancarou, mais uma vez, a vulnerabilidade da economia brasileira frente a turbulências externas. Bastou um novo ataque do ex-presidente norte-americano Donald Trump à China para que o mercado cambiasse de direção — evidência do quanto o país ainda é refém da volatilidade internacional, sem blindagem eficaz diante de choques geopolíticos.
Enquanto Trump usava as redes sociais para acusar a China de descumprir acordos comerciais, o dólar disparava e encerrava maio com valorização de 0,78%. A moeda norte-americana chegou a R$ 5,73 na máxima do dia, marcando o maior patamar desde 7 de maio. No acumulado de 2025, o dólar ainda registra queda de 7,45%, mas o movimento desta sexta evidencia que qualquer ruído externo segue capaz de desestabilizar o real.
A bolsa brasileira também sentiu os efeitos. O Ibovespa caiu 1,09% no dia, interrompendo a sequência de altas, embora tenha fechado o mês com valorização de 1,45%. O recuo não se deu apenas por reflexos do cenário internacional: fatores internos reforçaram o pessimismo dos investidores.
Ptax e juros: obstáculos internos reforçam pressão
No Brasil, o último dia útil do mês trouxe consigo a tradicional disputa por influência na formação da Taxa Ptax — média utilizada para balizar contratos cambiais e dívidas públicas atreladas ao dólar. A disputa técnica, frequentemente manipulada por interesses de curto prazo, ampliou a pressão sobre o câmbio e evidencia uma distorção recorrente na estrutura do sistema financeiro nacional.
Além disso, a divulgação do crescimento de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, embora positivo à primeira vista, acendeu um sinal de alerta. O resultado acima das expectativas reduziu a pressão sobre o Banco Central para cortar a taxa de juros — hoje mantida em patamares elevados. Com isso, o custo de capital segue alto e limita o apetite por risco na bolsa de valores, afetando diretamente o desempenho de ações e o crescimento de setores produtivos.
Ausência de estratégias estruturais amplia riscos
O episódio desta sexta-feira reforça um problema crônico: a ausência de uma política econômica mais robusta e estratégica que prepare o Brasil para os efeitos de um mundo multipolar e sujeito a choques cada vez mais frequentes. A excessiva dependência de variáveis externas — como o comportamento de líderes estrangeiros ou decisões geopolíticas distantes — amplia a instabilidade interna e encarece o custo de vida, dos investimentos e da dívida pública.
Sem reformas estruturais e com uma gestão econômica que reage mais do que antecipa, o Brasil segue vulnerável, oscilando entre o alívio momentâneo de indicadores e a exposição a riscos globais sobre os quais tem pouco controle.
Comentários desta notícia 0
Comentários - ver todos os comentários
Seja o primeiro a comentar!


