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PIB cresce 1,4% no primeiro trimestre, mas indústria segue estagnada


Por Redação

30/05/2025  às  09:38:16 | | views 3834


© CNA/ Wenderson Araujo/Trilux

Alta é puxada pela agropecuária, enquanto setores estratégicos como indústria de transformação e construção registram retração


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O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao último trimestre de 2024, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE. Embora o número confirme o 15º trimestre consecutivo de crescimento, a composição do avanço econômico revela fragilidades persistentes: mais uma vez, a agropecuária foi o principal motor do PIB, com alta de 12,2%, enquanto a indústria — setor estratégico para o desenvolvimento de longo prazo — teve variação negativa de 0,1%.

 

Na comparação com o mesmo período do ano passado, a economia cresceu 2,9%, e o acumulado em 12 meses atingiu 3,5%. Em valores correntes, o PIB do trimestre chegou a R$ 3 trilhões. No entanto, a dependência do setor primário, vulnerável a fatores climáticos e oscilações de mercado, levanta dúvidas sobre a sustentabilidade desse crescimento.

 

A pesquisadora do IBGE Rebeca Palis atribui o desempenho excepcional da agropecuária a “condições climáticas favoráveis e expectativa de safra recorde da soja”, principal lavoura do país. O setor de serviços, que responde por cerca de 70% da economia, cresceu apenas 0,3%, com destaque para informação e comunicação (3,0%) e atividades imobiliárias (0,8%). O comércio teve leve alta (0,3%), enquanto transportes e correios registraram queda (-0,6%).

 

Já a indústria, que poderia sinalizar modernização e aumento da produtividade, apresentou um quadro misto: enquanto indústrias extrativas (2,1%) e o setor de energia (1,5%) tiveram avanço, houve queda nas indústrias de transformação (-1%) e na construção civil (-0,8%), setores com maior impacto na geração de empregos e no investimento em infraestrutura.

 

Do lado da demanda, a formação bruta de capital fixo — indicador dos investimentos produtivos — cresceu 3,1%, e o consumo das famílias, 1%. No entanto, a alta de 5,9% nas importações — que tem impacto negativo na conta do PIB — relativiza parte do avanço.

 

Apesar do crescimento contínuo, economistas alertam que a sequência de altas trimestrais pode esconder problemas estruturais. “O Brasil cresce, mas cresce mal”, afirmou um analista ouvido reservadamente. “Há baixa diversificação, pouco investimento em inovação e produtividade estagnada. Sem uma indústria forte e política industrial clara, o país segue dependente de commodities e de ciclos favoráveis ao agronegócio.”

 

Além disso, o crescimento pouco expressivo em setores como educação, saúde pública e infraestrutura urbana sugere que os benefícios do crescimento econômico não estão sendo amplamente distribuídos entre a população.

 

A leitura positiva dos dados contrasta com o debate sobre qualidade de crescimento e distribuição de riqueza. Os números do PIB mostram que a economia resiste, mas as bases para um desenvolvimento robusto e sustentável continuam frágeis.



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