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Inflação desacelera em maio, mas pressões persistem


Por Redação

27/05/2025  às  09:34:34 | | views 3812


@Yan Krukau/pexels

IPCA-15 recua para 0,36% em maio; energia, medicamentos e alimentos continuam pressionando o consumidor


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A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, apresentou variação de 0,36% em maio, abaixo dos 0,43% de abril e dos 0,44% registrados no mesmo mês de 2024. Os dados, divulgados nesta terça-feira (27) pelo IBGE, indicam um leve alívio na trajetória inflacionária, embora ainda haja pressões setoriais relevantes que exigem atenção do setor produtivo e dos investidores.

 

No acumulado de 12 meses, a inflação recuou para 5,40%, ante os 5,49% do período imediatamente anterior. Embora a desaceleração aponte para um movimento de convergência à meta do Banco Central, o índice ainda opera acima do centro da meta de 3%, o que mantém no radar o risco de manutenção da política monetária restritiva.

 

Setores estratégicos sob pressão

A leitura setorial do índice revela que os aumentos seguem concentrados em itens de alto peso no consumo das famílias, como energia elétrica residencial (1,68%), medicamentos (1,93%) e alimentação (0,39%). Esses vetores pressionam o poder de compra e impactam diretamente setores como varejo, saúde, habitação e agronegócio.

 

Para empresas B2C, a inflação em saúde e alimentos limita a capacidade de expansão do consumo discricionário, especialmente nas classes C e D. O setor de utilities, por sua vez, encontra espaço para recomposição de margens via reajustes tarifários, ainda que sob risco de desgaste político e aumento na inadimplência.

 

No setor de serviços, a deflação nos transportes (-0,29%) foi puxada por passagens aéreas (-11,18%) e ônibus urbano (-1,24%). Ainda que isso contribua para o IPCA-15 mais brando, os itens em queda têm menor frequência de consumo, o que reduz seu impacto no comportamento real do consumidor. Para empresas do setor aéreo e de mobilidade, a retração nos preços pode sinalizar pressão competitiva ou ajuste de oferta à demanda reprimida.

 

Implicações para o mercado

O comportamento da inflação reforça o cenário de moderação gradual, mas sem espaço para otimismo exagerado. O mercado deve continuar atento ao desempenho dos preços administrados e às oscilações sazonais, sobretudo no segundo semestre.

 

Para o varejo e a indústria, o dado sugere uma recuperação lenta do consumo, com foco em bens essenciais e maior seletividade nas compras. Empresas devem revisar políticas de precificação e estoques, além de avaliar a elasticidade dos seus produtos diante de um consumidor ainda sensível ao preço.

 

No campo dos investimentos, a leitura do IPCA-15 pode ser interpretada como um sinal de que o ciclo de corte de juros ainda enfrenta barreiras. O comportamento do núcleo da inflação e das expectativas inflacionárias será decisivo para qualquer flexibilização adicional da Selic nos próximos meses.

 

Empresas com grande exposição a custos de energia e insumos importados também devem manter planos de hedge e projeções de custo atualizadas, diante da volatilidade cambial e do impacto de choques externos — principalmente em um contexto de juros ainda elevados nos Estados Unidos.

 

Cobertura regional

Vale lembrar que o IPCA-15 reflete preços coletados em 11 regiões metropolitanas, além de Brasília e Goiânia. Ainda que seja uma amostra representativa para análise macroeconômica, empresas com atuação nacional ou no interior do país devem considerar variações regionais relevantes nos seus planejamentos.

 

Situação ainda preocupa

A queda do IPCA-15 em maio oferece algum alívio para o ambiente de negócios, mas não elimina os riscos. O cenário inflacionário ainda exige uma gestão estratégica de preços, margens e repasses, com atenção à sensibilidade da demanda e à comunicação com o mercado. Em um ambiente de inflação resiliente e crescimento moderado, as decisões empresariais precisam estar ancoradas em dados e flexibilidade operacional.



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