Canola: alternativa promissora de biocombustível para aviação
Por Redação
27/05/2025 às 09:14:52 | | views 3811
Produção nacional de sementes e demanda por combustível sustentável abrem novas frentes de investimento no agronegócio e na indústria aeronáutica
Diante do avanço global por alternativas energéticas sustentáveis e da meta de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2030, a canola desponta como um novo ativo de valor para a economia brasileira. Tradicionalmente cultivada para a produção de óleo vegetal e ração animal, a cultura agora começa a ocupar espaço estratégico no setor de biocombustíveis, especialmente como matéria-prima do Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês).
A perspectiva de uso da canola como base do SAF representa mais do que uma inovação ambiental: trata-se de uma oportunidade de diversificação econômica com potencial para movimentar diferentes setores da cadeia produtiva nacional, desde o campo até a indústria de refino e distribuição de combustíveis.
Em 2024, o Brasil registrou mais de 925 mil decolagens domésticas e internacionais, transportando 118 milhões de passageiros, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O setor aéreo, responsável por cerca de 3,5% das emissões globais de CO?, é pressionado por acordos internacionais a reduzir drasticamente sua pegada de carbono, o que pode abrir mercado para novas fontes energéticas — e oportunidades econômicas.
Redução de custos e substituição de importações
Um dos principais avanços nesse cenário foi o início da produção nacional de sementes híbridas de canola pela empresa Advanta, eliminando a dependência da importação. Até então, as sementes chegavam fora do período ideal de plantio, comprometendo a produtividade. Com produção local, é possível reduzir custos logísticos, garantir maior eficiência no plantio e impulsionar o desenvolvimento tecnológico adaptado às condições brasileiras.
“Estamos focados na produção de sementes de canola 100% nacionais, incluindo os materiais parentais, o que amplia nossa autonomia e melhora a competitividade do agricultor brasileiro”, afirma José Geraldo Mendes, engenheiro agrônomo da empresa.
O fornecimento nacional também permite o aumento da escala de produção, o que pode fortalecer a oferta interna de matéria-prima para o SAF e abrir possibilidades de exportação de grãos e biocombustível refinado.
Interiorização da produção e geração de renda
Atualmente, o cultivo de canola se concentra na região Sul, onde o clima é mais favorável. No entanto, pesquisas da Embrapa e de empresas privadas buscam adaptar a cultura a outras regiões, como o Cerrado brasileiro. Essa expansão pode dinamizar economias locais, gerar empregos e oferecer novas alternativas de renda para agricultores de médio e grande porte.
“A tropicalização da canola representa uma oportunidade concreta para ampliar a base produtiva do biocombustível no país. Isso pode beneficiar regiões estratégicas do agronegócio, como o entorno de Brasília, onde já se iniciam os primeiros testes de adaptação”, explica Mendes.
Além do valor agregado do SAF, a canola tem vantagens econômicas indiretas. Por ser uma cultura que pode ser utilizada na rotação com soja, milho ou trigo, ela melhora o solo e aumenta a produtividade de outros cultivos, gerando ganhos adicionais para o agricultor.
Cadeia produtiva e investimentos
Com a possibilidade de expansão da produção de canola para o setor energético, a expectativa é de que novos investimentos surjam em áreas como beneficiamento, refino, armazenamento e transporte. A consolidação de um mercado interno de SAF pode também atrair capital estrangeiro e posicionar o Brasil como um dos principais fornecedores globais de matéria-prima para o setor aéreo.
“A transição energética precisa ser acompanhada por incentivos à inovação agrícola e industrial. O investimento em culturas como a canola pode não apenas suprir a demanda doméstica, como também transformar o país em um polo exportador de soluções sustentáveis”, aponta Letícia Barros, economista especializada em energia limpa.
Projeção de crescimento
Com políticas públicas adequadas, estímulo à pesquisa agrícola e parcerias entre setor público e privado, a canola tem condições de se consolidar como uma das principais apostas do Brasil na bioeconomia. A combinação de fatores — demanda crescente por SAF, avanços genéticos, produção nacional de sementes e ampliação territorial — desenha um cenário promissor para o agronegócio e para a matriz energética do país.
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