Lucro do BB cai 20,7% no 1º trimestre e inadimplência do agro contribui
Por Redação
16/05/2025 às 07:29:11 | | views 3811
Nova contabilidade e alta da inadimplência no agronegócio derrubam resultado e forçam revisão de projeções para 2025
O Banco do Brasil (BB) iniciou 2025 com retração em seus resultados. O lucro líquido ajustado da instituição totalizou R$ 7,3 bilhões no primeiro trimestre, uma queda de 20,7% em relação ao mesmo período de 2024. Na comparação com o último trimestre do ano passado, a retração foi ainda maior, de 23%, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (15).
Essa foi a primeira queda trimestral na comparação anual após quatro anos de crescimento ininterrupto. O recuo é atribuído, principalmente, à adoção de novas normas contábeis e ao aumento da inadimplência, especialmente no setor do agronegócio — área em que o BB mantém forte presença.
Impacto das novas regras contábeis
A redução expressiva do lucro foi influenciada pela entrada em vigor, em janeiro, de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), aprovada ainda em 2021. As novas normas alteram o modelo de provisão para perdas esperadas, exigindo o reconhecimento de receitas e despesas com base em estimativas mais conservadoras.
Com isso, o banco deixou de reconhecer cerca de R$ 1 bilhão em receitas de crédito provenientes de operações classificadas no estágio 3 — aquelas com atraso superior a 90 dias. Nessas situações, a contabilidade passou a ser feita pelo regime de caixa, que só contabiliza a receita quando ela é efetivamente recebida.
Inadimplência avança, puxada pelo agronegócio
Outro fator que pressionou os resultados foi a alta da inadimplência. O índice de atrasos acima de 90 dias subiu para 3,86% no trimestre, contra 3,32% no fim de 2024 e 2,90% no mesmo período do ano passado.
No agronegócio, a inadimplência chegou a 3,04% em março, ante 2,45% em dezembro. O avanço é atribuído à combinação de juros altos — com a taxa Selic ainda elevada — e perdas com quebras de safra nos anos de 2023 e 2024.
Banco revisará projeções para 2025
Diante do cenário mais desafiador, o Banco do Brasil anunciou que revisará suas projeções financeiras para o ano. Os novos parâmetros ainda não foram divulgados. As estimativas anteriores, apresentadas em fevereiro, previam lucro líquido ajustado entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões, margem financeira bruta entre R$ 111 bilhões e R$ 115 bilhões e custo do crédito entre R$ 38 bilhões e R$ 42 bilhões.
Crédito segue em expansão
Apesar da queda no lucro, a carteira de crédito do banco seguiu em crescimento. O saldo total chegou a R$ 1,278 trilhão em março, avanço de 1,1% no trimestre e de 14,4% em 12 meses.
Os destaques por segmento incluem:
• Pessoa Física: R$ 335,8 bilhões, com crescimento de 6,6% em 12 meses, impulsionado pelo crédito consignado para trabalhadores CLT da iniciativa privada.
• Pessoa Jurídica: R$ 459,9 bilhões, alta de 22,4% em um ano, com forte demanda tanto de grandes empresas quanto de pequenos negócios e clientes públicos.
• Agronegócio: R$ 406,2 bilhões, aumento de 9%, com R$ 174,5 bilhões liberados nos nove primeiros meses do Plano Safra 2024/2025.
• Crédito Sustentável: R$ 393,5 bilhões, com alta de 9,6%, reforçando a atuação do banco em projetos de impacto social e ambiental positivo.
Receitas e despesas
A receita com prestação de serviços caiu 9% no trimestre, mas acumula leve alta de 0,2% em 12 meses. As despesas administrativas ficaram praticamente estáveis na comparação com o último trimestre (-0,1%), mas subiram 7% frente ao primeiro trimestre de 2024.
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