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Copom eleva Selic para 14,75% ao ano, maior nível em 19 anos


Por Redação

07/05/2025  às  18:45:44 | | views 3816


© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Alta da taxa básica busca conter pressão inflacionária provocada por alimentos, energia e cenário global instável


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Em meio ao aumento dos preços de alimentos e energia e às incertezas do cenário internacional, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu elevar pela sexta vez consecutiva a taxa Selic. Por unanimidade, o colegiado subiu os juros básicos da economia em 0,5 ponto percentual, fixando a Selic em 14,75% ao ano — o maior patamar desde agosto de 2006.

 

A decisão já era esperada pelo mercado e confirma a trajetória de aperto monetário iniciada em setembro do ano passado. Desde então, a taxa acumulou sucessivas altas, com o objetivo de conter o avanço da inflação, que permanece acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

 

Em comunicado, o Copom evitou sinalizar os próximos passos da política monetária, citando o “elevado grau de incerteza” e destacando que será necessário manter cautela nas futuras decisões. “O cenário atual exige prudência tanto para possíveis novas elevações quanto para a manutenção da Selic nesse patamar elevado”, informou o texto.

 

Inflação e metas sob pressão

Apesar de uma leve desaceleração registrada em abril, a inflação segue pressionada, especialmente pelos alimentos. O IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,43% no mês e acumula alta de 5,49% em 12 meses — acima do teto da nova meta contínua, que estipula um centro de 3% e tolerância de até 4,5%.

 

No modelo de metas contínuas, em vigor desde janeiro, a inflação é acompanhada mês a mês, com base no acumulado de 12 meses. Isso significa que, em maio de 2025, o Banco Central avaliará a inflação a partir de junho de 2024, deslocando a análise ao longo do tempo, e não mais apenas no fim do ano-calendário.

 

O Banco Central projeta que o IPCA encerrará 2025 em 4,8%, ainda acima do teto da meta. Para 2026, a estimativa é de 3,6%. A revisão reflete o chamado “horizonte ampliado” da política monetária, que considera um período de até 18 meses à frente. Já o mercado financeiro está mais pessimista: segundo o boletim Focus, a inflação deve fechar este ano em 5,53%.

 

Juros altos e crescimento limitado

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito, desestimulam o consumo e a produção, e tendem a segurar a pressão sobre os preços. No entanto, esse movimento também tem impacto negativo sobre o crescimento econômico.

 

De acordo com o último Relatório de Inflação, o BC reduziu sua projeção de crescimento do PIB para 2025, de 2% para 1,9%. Analistas ouvidos pelo boletim Focus apontam estimativa semelhante, de expansão de 2%.

 

A Selic também é referência para as demais taxas de juros da economia, incluindo financiamentos, empréstimos e aplicações financeiras. Sua elevação encarece o custo do crédito e favorece investimentos em renda fixa, mas reduz o apetite por consumo e investimentos produtivos.

 

Com o novo aumento, o Banco Central mantém sua estratégia de controle inflacionário, mesmo diante dos efeitos colaterais sobre o ritmo da atividade econômica. A próxima reunião do Copom está marcada para a metade de junho.



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