Superávit comercial encolhe com queda nas commodities
Por Redação
07/05/2025 às 16:47:56 | | views 3810
Dependência de commodities e incertezas globais expõem fragilidade da balança comercial brasileira em abril
Apesar do início de importantes safras agrícolas, o superávit da balança comercial brasileira recuou em abril, pressionado pela queda nos preços internacionais de commodities. O país exportou US$ 8,153 bilhões a mais do que importou no mês, informou nesta quarta-feira (7) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O resultado representa queda de 3,3% em relação a abril do ano passado e expõe a vulnerabilidade da economia nacional à oscilação dos preços globais.
O desempenho foi o quarto melhor para o mês desde o início da série histórica, em 1989, ficando atrás apenas dos anos de 2021, 2022 e 2024. No acumulado de janeiro a abril, o saldo comercial soma US$ 17,728 bilhões — uma queda expressiva de 34,2% em comparação ao mesmo período de 2024. Parte desse recuo se deve ao déficit registrado em fevereiro, causado pela importação de uma plataforma de petróleo.
Recordes em meio à desaceleração
Embora tanto exportações quanto importações tenham batido recordes nominais para o mês, os números escondem sinais de alerta. As exportações cresceram apenas 0,3%, totalizando US$ 30,409 bilhões, enquanto as importações subiram 1,6%, somando US$ 22,256 bilhões — o maior valor já registrado para abril.
Na prática, o crescimento nas compras do exterior superou o ritmo das vendas, num momento em que a economia interna ainda mostra sinais de recuperação desigual, e o setor externo lida com incertezas globais.
Commodities em queda: o calcanhar de aquiles
A forte dependência das exportações brasileiras de produtos primários voltou a cobrar seu preço. A soja, carro-chefe do agronegócio, teve queda de 6,1% em receita, reflexo direto da baixa de 9,7% nos preços médios. O minério de ferro também seguiu a mesma trajetória, com recuo de 14,3% no valor exportado.
Apesar de aumentos pontuais em itens como carne bovina, café, veículos e ferro-gusa, a performance de abril revela que a estrutura de exportação segue vulnerável à oscilação dos preços internacionais.
Importações impulsionadas por insumos e fertilizantes
Do lado das importações, houve aumento na compra de máquinas, motores, medicamentos e componentes automotivos, refletindo uma leve retomada da atividade industrial. Destaque para os fertilizantes, cujas importações saltaram 36,2% em valor, o que reforça a dependência externa de insumos essenciais para o agronegócio.
Queda em volume exportado e aumento no importado
Outro sinal preocupante veio do volume: as exportações caíram 0,5%, enquanto as importações subiram 4,4%, impulsionadas pelo consumo e atividade doméstica. O crescimento no volume importado, combinado com queda nos preços médios, indica uma pressão sobre a balança caso os preços das commodities não se recuperem.
Panorama setorial: agro recua, indústria dá sinais mistos
Na agropecuária, o volume exportado caiu 4,9% e contribuiu para o recuo geral das exportações do setor. Já na indústria de transformação, houve leve crescimento em quantidade (1,3%) e preços (1,5%), com destaque para a recuperação parcial da demanda argentina. A indústria extrativa, por sua vez, teve queda nos preços, influenciada pela desaceleração chinesa e por tensões comerciais com os Estados Unidos.
Estimativas sob revisão e incerteza geopolítica
As previsões oficiais ainda não incorporam o impacto das recentes medidas protecionistas anunciadas pelo ex-presidente Donald Trump, nem as possíveis retaliações comerciais da China. Mesmo assim, o MDIC estima superávit de US$ 70,2 bilhões para 2025, uma queda de 5,4% em relação a 2024. O mercado financeiro, mais otimista, projeta US$ 75 bilhões, segundo o boletim Focus.
A próxima revisão oficial das projeções será feita em julho, mas analistas alertam que o cenário pode piorar caso o protecionismo ganhe força nas maiores economias globais.
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