Indústria cresce 1,2% em março, mas recuperação é frágil
Por Redação
07/05/2025 às 10:56:31 | | views 3814
Setor industrial mostra recuperação tímida e mesmo registrando crescimento continua longe de ser sustentável.
Após cinco meses consecutivos de estagnação ou queda, a indústria brasileira registrou uma alta de 1,2% na passagem de fevereiro para março, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora o crescimento seja significativo em relação aos meses anteriores, ele não deve ser confundido com uma recuperação robusta. O setor ainda vive sob a sombra da instabilidade e da volatilidade, com uma recuperação que permanece tímida, distante de uma retomada sustentável.
O número de março, embora seja o maior desde junho de 2024, quando o crescimento foi de 4,3%, ainda está longe de representar um avanço substancial. O dado é o maior registrado para o mês de março desde 2018, quando o setor teve uma alta de 1,4%. No entanto, o crescimento do setor em 12 meses, de 3,1%, parece mais um reflexo da baixa base de comparação do que de uma recuperação sólida e duradoura.
Dificuldades persistem
Embora o crescimento tenha sido disseminado entre alguns setores, o cenário geral da indústria permanece frágil. A produção de bens de consumo duráveis teve um expressivo aumento de 3,8%, enquanto os bens de consumo semi e não duráveis cresceram 2,4%. Porém, o setor de bens de capital, responsável por máquinas e equipamentos, caiu 0,7%, indicando que a recuperação está longe de ser equilibrada e completa. Além disso, a indústria ainda está 14,4% abaixo do pico histórico registrado em 2011, o que reforça a noção de que a recuperação ainda é um caminho longo e cheio de obstáculos.
Crescimento pontual não reflete confiança sólida no setor
O gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo, afirmou que o crescimento de março é apenas uma "compensação de meses em que a indústria mostrou menor dinamismo". Essa explicação já revela o caráter pontual e não estruturante desse avanço. Nos últimos três meses de 2024, a indústria acumulou um recuo de 1%, o que revela que o crescimento atual é mais fruto de uma leve recuperação pontual do que de uma reviravolta genuína na economia.
Desafios à frente
O índice de difusão, que mede o percentual de produtos com crescimento na produção, ficou em 59,7% entre fevereiro e março. Apesar de indicar uma recuperação em mais da metade das atividades, esse número também pode ser visto como um sinal de que a recuperação ainda não é generalizada ou estável. A média móvel trimestral, que ajuda a suavizar flutuações sazonais, teve um crescimento de 0,4%, interrompendo uma sequência de resultados negativos desde novembro de 2024. No entanto, o pequeno avanço não é suficiente para dissipar as dúvidas sobre a capacidade da indústria de sustentar um crescimento contínuo a longo prazo.
Portanto, embora o crescimento de março seja uma notícia positiva, ele não deve ser celebrado como um sinal claro de recuperação econômica. A indústria brasileira ainda enfrenta um cenário de incertezas, com muito a ser feito para que o crescimento se consolide de maneira consistente. O país segue longe de recuperar os níveis de produção pré-pandemia, e os desafios estruturais permanecem uma barreira à recuperação real do setor.
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