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PMEs registram maior queda em faturamento desde 2021 no 1º trimestre de 2025


Por Redação

05/05/2025  às  11:38:31 | | views 3812


@Artem Podrez/pexels

Indústria e Infraestrutura enfrentam retração significativa, enquanto Comércio se destaca com crescimento modesto


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O primeiro trimestre de 2025 começou com um cenário desafiador para as pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras. De acordo com o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs), o faturamento médio real dessas empresas recuou 1,2% em relação ao mesmo período de 2024 — o pior desempenho desde o quarto trimestre de 2021. Na comparação com os últimos três meses do ano passado, a queda foi ainda maior: 1,5%.

 

A retração foi puxada principalmente pelos setores de Indústria (-5,8%) e Infraestrutura (-3,3%). Já o Comércio foi o único a registrar crescimento, com avanço de 7,9% no faturamento. Entre os segmentos monitorados, o setor de Serviços, que concentra o maior volume de PMEs no país, manteve estabilidade, com variação negativa de apenas 0,2%.

 

Para Felipe Beraldi, economista e gerente de Indicadores e Estudos Econômicos da Omie, o desempenho reflete uma combinação de fatores negativos no ambiente macroeconômico. “O IODE-PMEs já sinalizava uma perda de dinamismo no final de 2024, diante do aumento das incertezas fiscais, alta das taxas de juros e inflação pressionando o poder de compra das famílias”, afirma.

 

No cenário externo, o economista destaca as incertezas geradas pela política tarifária dos Estados Unidos sob o novo governo Trump, além da instabilidade em grandes economias como a China.

 

A percepção negativa do momento econômico também se reflete no comportamento dos consumidores. Entre dezembro de 2024 e fevereiro deste ano, a confiança do consumidor caiu 7,6%, segundo a FGV-IBRE. A Sondagem Omie das Pequenas Empresas, realizada em março, mostra que 51% dos empresários esperam piora da economia — acima dos 39% registrados na edição de setembro de 2024.

 

Comércio resiste, mas com contrastes entre atacado e varejo

Apesar do cenário geral desfavorável, o setor de Comércio registrou desempenho positivo, com alta de 7,9% no faturamento. O crescimento foi puxado principalmente pelas PMEs do comércio atacadista, que avançaram 10,2%. Destaque para segmentos como bebidas, resinas e elastômeros, e resíduos de papel e papelão.

 

O varejo, por sua vez, teve queda de 1,3%, revertendo sinais de recuperação observados no segundo semestre de 2024. Ainda assim, alguns nichos mantiveram bom desempenho, como o varejo de medicamentos veterinários, equipamentos para escritório e livros.

 

Serviços estabilizam após bom desempenho em 2024

O setor de Serviços apresentou estabilidade no período (-0,2%), mas com comportamentos distintos entre os segmentos. Atividades que lideraram o crescimento em 2024, como alimentação, serviços profissionais e pessoais, perderam fôlego. Em contrapartida, serviços de informação, transporte, armazenagem e atividades financeiras sustentaram crescimento no início de 2025.

 

A desaceleração nos serviços e no varejo é atribuída à perda de confiança dos consumidores e à pressão inflacionária, que têm afetado o consumo das famílias. O cenário de juros elevados também impacta negativamente os setores mais intensivos em capital.

 

Indústria amplia retração; infraestrutura reverte crescimento

A Indústria, que já demonstrava perda de força desde o segundo semestre de 2024, acentuou sua queda no início de 2025. O setor retraiu 5,8% no primeiro trimestre, com desempenho negativo em 15 dos 23 subsetores industriais acompanhados. Ainda assim, alguns segmentos se destacaram positivamente, como impressão e reprodução de gravações, fabricação de produtos de madeira e de metal.

 

Já o setor de Infraestrutura voltou ao campo negativo, com queda de 3,3%, após ter crescido 9,7% no último trimestre de 2024. A retração afetou obras, construção de edifícios e serviços especializados para construção. O crescimento de áreas como saneamento e gestão de resíduos ajudou a conter uma queda mais acentuada.

 

Desempenho regional revela disparidades

A análise regional do IODE-PMEs mostra que o desempenho das PMEs foi desigual pelo país. As regiões Sudeste (+0,6%) e Centro-Oeste (+2,5%) registraram crescimento no faturamento. Em contrapartida, as regiões Norte (-10,4%), Sul (-3,5%) e Nordeste (-3,5%) enfrentaram retrações expressivas.

 

Apesar do início de ano turbulento, Beraldi avalia que o setor ainda pode crescer em 2025, mas em linha com o ritmo da economia geral. “Os resultados reforçam a expectativa de que as PMEs deverão crescer de forma mais moderada, acompanhando as projeções para o PIB, que giram em torno de 2%, segundo o Boletim Focus do Banco Central”, conclui.



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