Juros do rotativo do cartão disparam e atingem 445% ao ano
Por Redação
30/04/2025 às 13:28:54 | | views 3835
Taxas de crédito para famílias e empresas seguem em alta, segundo dados do Banco Central; endividamento das famílias permanece elevado
Os juros do cartão de crédito rotativo voltaram a subir em março e atingiram 445% ao ano, um dos patamares mais altos do mercado, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (30) pelo Banco Central. A taxa média da modalidade aumentou 2,5 pontos percentuais (pp) no mês, e acumula alta de 23,7 pp em 12 meses.
Mesmo com a limitação da cobrança de juros no rotativo, em vigor desde janeiro de 2023, os custos continuam elevados. A regra restringe o valor total da dívida a 100% do valor original da fatura, mas só se aplica a novas contratações e não interfere na taxa de juros em si.
A modalidade é acionada quando o consumidor paga apenas parte da fatura do cartão e, automaticamente, contrai um empréstimo de curtíssimo prazo, válido por até 30 dias. Após esse período, o saldo é parcelado. Nesse caso, os juros do cartão parcelado subiram 0,1 pp no mês, mas recuaram 9,6 pp em 12 meses, chegando a 181,1% ao ano.
Crédito livre também sobe
As taxas de crédito livre, onde os bancos têm autonomia para definir as condições do empréstimo, também subiram. Para pessoas físicas, a taxa média foi a 56,4% ao ano, alta de 0,3 pp em março e de 3 pp no acumulado de 12 meses.
O cheque especial teve uma rara queda de 8 pp no mês, mas segue com juros elevados: 134,2% ao ano. Desde 2020, essa linha de crédito tem teto legal de 8% ao mês, o equivalente a 151,8% ao ano.
Para empresas, os juros médios em novas contratações de crédito livre subiram 0,8 pp em março e 3,5 pp em 12 meses, atingindo 24,6% ao ano. O destaque negativo foi o cheque especial empresarial, que saltou 9 pp e chegou a 349,2% ao ano.
Segundo o BC, a elevação nas taxas está relacionada a mudanças na composição dos saldos das operações, com maior peso de linhas mais caras, como o rotativo, sobre as demais.
Crédito direcionado e spread
No crédito direcionado, que segue regras do governo e atende setores como habitação, rural e infraestrutura, as taxas também subiram. Para pessoas físicas, a média foi de 11,4% ao ano em março; para empresas, 18,4% ao ano.
Considerando todas as modalidades – livre e direcionada, para famílias e empresas – a taxa média de juros chegou a 31,3% ao ano, alta de 0,9 pp no mês e de 3,1 pp em 12 meses.
O spread bancário – diferença entre o que os bancos pagam para captar recursos e o que cobram nos empréstimos – ficou em 19,4 pontos percentuais, com leve alta de 0,1 pp no mês.
Estoque de crédito e endividamento
As concessões de crédito no Sistema Financeiro Nacional somaram R$ 600,5 bilhões em março, alta de 2,7%. O crescimento foi puxado pelas operações com empresas (alta de 6,3%), enquanto o volume para famílias recuou 0,1%.
O estoque total de crédito chegou a R$ 6,48 trilhões, avanço de 0,6% no mês e de 9,9% em 12 meses. Desse montante, R$ 4,03 trilhões referem-se a operações com pessoas físicas e R$ 2,45 trilhões com empresas.
O crédito ampliado ao setor não financeiro, que inclui financiamentos bancários, emissões de títulos e empréstimos externos, somou R$ 18,78 trilhões em março, com alta de 0,2% no mês e de 13,3% em 12 meses.
Inadimplência e comprometimento da renda
A inadimplência média se manteve estável em março: 3,2% do total de operações. O índice é de 3,8% entre pessoas físicas e 2,2% entre jurídicas.
O endividamento das famílias ficou em 48,2% da renda acumulada em 12 meses, leve queda de 0,3 pp no mês. Excluindo o crédito imobiliário, o índice foi de 30,1%. Já o comprometimento da renda chegou a 27,2%, com alta de 0,1 pp.
Esses indicadores têm defasagem de um mês e são calculados com base em dados da Pnad, do IBGE.
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