Crise! Qual o comportamento da segurança privada no país?


Por Natalino José Borring

12/09/2018  às  17:58:25 | Atualizado em 12/09/2018 - 23:13:52 | views 2664




Na maioria das reuniões que participo com empresas que atuam no mercado de segurança privada, a reclamação é uma só: o mercado não anda bem! Dívidas com fornecedores, poucos negócios, rolagem de títulos e uma certa descrença no real potencial do mercado de segurança. Talvez esse seja o preço de muitos terem brincado com os números, apresentando estatísticas de crescimento na casa dos 20%, 30% ao ano, ou mesmo ignorado sinais claros de que a prestação de serviço tem que estar focada em gestão. Não basta importar alguns equipamentos eletrônicos de segurança, aprender a instalar câmeras ou coordenar mão de obra. Se não houver solidez na gestão, um dia a crise chega e as muralhas edificadas no barro começam a afundar.

 

Não foram poucos os empresários que enxergaram o mercado de segurança de forma simplista, resumindo a atividade em: fornecer mão de obra, instalar equipamentos e receber por isso uma boa quantia. Não se engane, o mundo empresarial exige muito mais do que isso. Tanto que, cientes da ineficiência empresarial, alguns empresários do setor vivem torcendo para terem suas empresas compradas por grandes grupos econômicos. Um sonho que garantiria um futuro mais estável, longe das mazelas de uma prestação de serviço deficiente na segurança privada. Seria um verdadeiro prêmio, que quase sempre não passa de devaneios ao ver o volume das dívidas crescerem a cada dia.

 

Talvez esse seja um sonho mais próximo às apostas em jogos de azar. Até porque, empresas mal administradas ou gerenciadas de forma deficitária carregam consigo dívidas, muitas vezes, impossíveis de pagar. Mas, mesmo assim, o sonho ainda parece florido e, ao invés de procurar entender que segurança nada mais é do que um negócio como qualquer outro, continuam a se aventurar por caminhos tortuoso.

 

Abandonar uma empresa e começar outra do zero, soa como uma das melhores soluções, ou vai dizer, que muito de vocês que leem essa breve reflexão, nunca ouviram a máxima de que essa situação é comum no mercado. “Sempre foi assim”. Da mesma forma que, no passado, não existia “Lava Jato” e corruptos surfavam a onda dos famosos crimes do "colarinho branco", no futuro pode não haver mais espaço para práticas "desonestas" na segurança.

 

Na verdade, algo está mudando no Brasil, porém o preço que ainda vamos ter que pagar é alto. Mas não há outro caminho, se quisermos construir um País sólido e uma economia mais igualitária é necessário mudar. É preciso aceitar que as velhas práticas não nos levaram para o caminho dos sonhos, porém nos permitiu chegar até aqui para analisarmos o que foi feito de certo e errado. Então é hora de aproveitar essa onda de crise e buscar uma nova forma de vender e comprar. Utilizar novas técnicas, ações mais acertivas e, principalmente, começar a fazer conta.

 

Assim como outros nichos de mercado, a segurança privada não é nenhuma mina de ouro, ao contrário é um negócio igual a tantos outros. Então quando parece que o dinheiro está sobrando ou que somente as nossas estatísticas de crescimento são positivas quando comparadas aos demais mercados, é preciso acender o sinal amarelo e criar novas estratégias para o negócio de forma a olhar a realidade com os olhos para o futuro, sem perder o reflexo do retrovisor.



Comentários desta notícia 0



Comentários - ver todos os comentários


Seja o primeiro a comentar!

© Copyright 2002-2018 SEGNEWS - Todos os direitos reservados - É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Rede SegComunicação. SEGNEWS e SEGWEB são marcas da BBVV Editora Ltda, devidamente registradas pelas normas do INPI — Instituto Nacional da Propriedade Industrial.