Placa arrancada de exposição por deputado gera polêmica


Por Redação

20/11/2019  às  17:10:15 | | views 2828



Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, diz estar avaliando a recolocação da placa na exposição


Uma ação inusitada protagonizada pelo deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) na terça-feira (19) ao retirar e destruir uma placa, que faria parte de uma exposição sobre o Dia da Consciência Negra, está sendo motivo de polêmica. Diversos depoimentos contários e favoráveis ao deputado foram ouvidos pelos corredores do congresso.

 

A obra em questão era uma charge criada pelo cartunista Carlos Latuff, que retratava um policial de costas com revólver na mão e um jovem negro caido no chão. O jovem, supostamente baleado, trajava uma camiseta com a imagem lembrando a bandeira do Brasil. Abaixo da imagem a legenda: 'O genocídio da população negra'.

 

O Coronel Tadeu gravou um vídeo destruindo a placa e afirmou que o conteúdo ofendia o trabalho dos policias militares.

 

Além da charge que foi destruída, a mostra apresenta a história de diversas personalidades negras do país e está montada no túnel que faz ligação entre as comissões e o plenário principal.

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), condenou nesta quarta-feira (20) a violência e afirmou que o gesto não pode virar um precedente para outros atos semelhantes, porque desrespeita a livre manifestação artística na Câmara.

 

“Estamos vendo uma solução para esse problema. É lamentável, [ocorrer em] uma exposição que a Câmara autorizou. Uma coisa é fazer uma crítica a uma peça e chegar à conclusão de que ela não está no lugar adequado, outra coisa é tirar essa peça com violência. Então, a gente tem que encontrar um caminho para encerrar esse episódio para que não se repita”, disse.

 

Sobre a recolocação da placa na exposição, o presidente da Câmara disse que está avaliando o caso com a diretoria responsável pela exposição. “Vamos ver se se consegue encontrar um caminho no qual se respeite o trabalho do artista e valorize nossa polícia. Não devemos generalizar, porque, quando se generaliza contra a política, a gente não gosta, então não deve generalizar a PM [Polícia Militar], mas também não deve generalizar a violência contra as exposições livres”, ponderou.

 

Mais tarde, o líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), ao falar sobre o episódio, disse que os policiais militares são alvo de preconceito. “Fazer uma generalização de que todos os policiais contribuem para a morte de negros no Brasil é uma visão parcial do problema e, certamente, tão preconceituosa quanto o racismo.”

 

Na avaliação de Vitor Hugo, Coronel Tadeu fez, com seu gesto, uma defesa dos policiais militares. “Nós entendemos a atitude do Coronel Tadeu como uma defesa dos policiais militares e dos profissionais de segurança pública. É ter preconceito com um grupo de brasileiros que expõem suas vidas todos os dias em prol do restante da sociedade”, afirmou. (Com informações da Agência Brasil)



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